Até 2026, as áreas de compras terão de reportar e monitorar métricas ESG de forma estruturada, incluindo emissões de carbono (especialmente Escopo 3), transparência da cadeia de fornecedores, indicadores de diversidade, direitos humanos, saúde e segurança, além de critérios de governança como auditorias, rastreabilidade e combate a fraudes. Empresas serão cobradas por dados precisos, validação documental e aderência a padrões internacionais como CSRD, IFRS S1 e S2 e GHG Protocol. Isso exige processos digitais, integração com sistemas de compras e avaliações contínuas de fornecedores.
A discussão ESG deixou de ser um tema voluntário. Até 2026, empresas brasileiras e multinacionais instaladas no país terão novas exigências baseadas em padrões internacionais como a CSRD europeia e as normas IFRS S1 e IFRS S2, que estabelecem diretrizes de divulgação de riscos e métricas de sustentabilidade. No Brasil, setores como mineração, energia, varejo, indústria alimentícia e logística já vêm recebendo pressões públicas e privadas para aumentar transparência e rastreabilidade.
O que antes era tratado como diferencial competitivo passa a ser uma exigência formal. Isso afeta diretamente Compras, porque mais de 70% das emissões, riscos e impactos ESG de uma empresa estão fora dela, na cadeia de fornecedores. Por isso, as áreas de procurement precisam desenvolver metodologias, indicadores e processos capazes de capturar dados ambientais, sociais e de governança de forma recorrente e auditável.
Empresas que não se adaptarem enfrentarão barreiras significativas em auditorias, perda de contratos, redução de competitividade e aumento de riscos legais. Já aquelas que se organizarem desde agora tendem a ganhar eficiência, confiança de stakeholders e fornecedores mais alinhados às práticas sustentáveis.
Antes, iniciativas ESG eram amplamente associadas ao setor de sustentabilidade. Hoje, o protagonismo migrou para Compras, que passa a ser a principal porta de entrada de riscos, dados e impacto socioambiental.
Há pelo menos três vetores que explicam essa mudança:
Conteúdos como “Compliance através do uso de Vendor List” e “Auditoria de Vendor List” já mostram o quanto a governança da cadeia é decisiva para atender às exigências ESG. O avanço esperado para 2026 reforça ainda mais esse papel, ampliando o escopo e o rigor dos indicadores exigidos.
O Escopo 3, categoria 1 (bens e serviços adquiridos), se torna um dos indicadores mais relevantes. A área de compras precisa ser capaz de contabilizar e reportar emissões incorporadas nos produtos e serviços. Conteúdos como “GHG Protocol: a chave para uma gestão de compras responsável” podem aprofundar esse tema.
A rastreabilidade do ciclo de vida dos materiais, o plano de redução e a logística reversa ganham peso, alinhados ao avanço da economia circular. Este conteúdo dialoga diretamente com “O que é economia circular”.
Energia, água, descarte seguro e impacto ambiental dos fornecedores entram no radar de métricas obrigatórias, especialmente em setores críticos.
Programas como ISO 14001, FSC e rastreabilidade de materiais serão exigidos para fornecedores de categorias sensíveis.
Empresas deverão reportar indicadores ligados a compras inclusivas. Conecta diretamente ao conteúdo “Compras inclusivas: promovendo diversidade e igualdade”.
Trabalho infantil, trabalho escravo, condições de moradia para terceirizados, jornada excessiva e segurança laboral entram como métricas essenciais.
Indicadores de acidentes, programas de prevenção, certificações e controles passam a fazer parte do report obrigatório.
Indicadores sobre impacto de compras em fornecedores regionais ganham relevância, especialmente em setores de grande impacto territorial.
Empresas devem garantir que seus fornecedores de primeiro e segundo nível atendam aos requisitos mínimos de conformidade.
Auditorias, histórico de penalidades, sanções, envolvimento em fraudes e políticas internas precisam ser monitorados continuamente.
Fornecedores devem ser homologados de forma recorrente, com atualização documental e avaliações. O conteúdo “O poder do vendor list integrado aos sistemas de compras” aprofunda esse tema.
Empresas devem demonstrar que avaliam riscos, impactos e histórico dos fornecedores antes de fechar contratos. Esse processo é reforçado por artigos como “Compliance na gestão de compras”.
Criar indicadores ESG exige método, priorização e integração com sistemas digitais. Para atender às exigências de 2026, o departamento deve seguir três etapas principais:
Além disso, a área deve desenvolver políticas de atualização contínua dos dados, com ciclos de revisão trimestrais e auditorias semestrais para os fornecedores mais estratégicos.
| Categoria | Indicadores obrigatórios até 2026 | Indicadores recomendados |
|---|---|---|
| Ambiental | Emissões Escopos 1, 2, 3; resíduos; riscos ambientais; certificações | Índice de circularidade; redução contínua de carbono; logística reversa ampliada |
| Social | Direitos humanos; segurança do trabalho; diversidade mínima; rastreabilidade social | Investimento em impacto social; programas de desenvolvimento de fornecedores; compras locais |
| Governança | Auditorias; anticorrupção; vendor list atualizado; due diligence | Indicadores de maturidade; scorecards ESG; dashboards de compliance |
A parte mais desafiadora das exigências para 2026 está na qualidade e consistência dos dados. Compras precisa garantir que tudo o que é reportado é verificável, auditável e estruturado.
Os caminhos mais eficientes incluem:
A validação deve incluir análise documental, verificação cruzada, auditorias e uso de ferramentas digitais de compliance.
A maior parte das empresas que tenta implementar métricas ESG comete erros que prejudicam a consistência dos dados e a viabilidade operacional. Entre os mais frequentes estão:
Muitos desses erros ocorrem pela ausência de um processo digitalizado, tema amplamente discutido no artigo “Transformação digital na gestão de compras”.
Nenhuma empresa conseguirá atender às exigências ESG de 2026 de forma manual. A tecnologia deixa de ser suporte e assume papel estratégico.
Algumas das principais frentes são:
Além disso, sistemas de compras 4.0 e automações em tempo real reduzem riscos, aceleram análises e fortalecem decisões.
Para atender às exigências até 2026, empresas podem seguir um plano estruturado em três etapas:
Métricas claras, dados auditáveis e processos estruturados deixarão de ser diferenciais para se tornar condições fundamentais de mercado. O departamento de compras passa a assumir protagonismo real na sustentabilidade corporativa, liderando práticas ambientais, sociais e de governança que impactam diretamente competitividade, reputação e eficiência operacional.
Empresas que integrarem tecnologia, scorecards e governança robusta estarão à frente. Para aprofundar temas como economia circular, vendor list, compliance e BI, é possível explorar os conteúdos complementares da GoBuyer que se conectam diretamente às exigências ESG.