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Até 2026, as áreas de compras terão de reportar e monitorar métricas ESG de forma estruturada, incluindo emissões de carbono (especialmente Escopo 3), transparência da cadeia de fornecedores, indicadores de diversidade, direitos humanos, saúde e segurança, além de critérios de governança como auditorias, rastreabilidade e combate a fraudes. Empresas serão cobradas por dados precisos, validação documental e aderência a padrões internacionais como CSRD, IFRS S1 e S2 e GHG Protocol. Isso exige processos digitais, integração com sistemas de compras e avaliações contínuas de fornecedores.

O que você vai ver neste post

  1. Por que 2026 muda tudo para Compras ESG
  2. Da boa prática à obrigação: o novo papel de Compras
  3. As métricas ESG que se tornam obrigatórias até 2026
    • Ambiente (E)
    • Social (S)
    • Governança (G)
  4. Como estruturar indicadores ESG dentro do departamento de compras
  5. Tabela: Indicadores obrigatórios vs recomendados
  6. Como coletar e validar dados ESG dos fornecedores
  7. Erros comuns no processo de implementação ESG
  8. Tecnologia como alavanca para conformidade até 2026
  9. Plano prático para colocar Compras ESG de pé
  10. Conclusão

Por que 2026 muda tudo para Compras ESG

A discussão ESG deixou de ser um tema voluntário. Até 2026, empresas brasileiras e multinacionais instaladas no país terão novas exigências baseadas em padrões internacionais como a CSRD europeia e as normas IFRS S1 e IFRS S2, que estabelecem diretrizes de divulgação de riscos e métricas de sustentabilidade. No Brasil, setores como mineração, energia, varejo, indústria alimentícia e logística já vêm recebendo pressões públicas e privadas para aumentar transparência e rastreabilidade.

O que antes era tratado como diferencial competitivo passa a ser uma exigência formal. Isso afeta diretamente Compras, porque mais de 70% das emissões, riscos e impactos ESG de uma empresa estão fora dela, na cadeia de fornecedores. Por isso, as áreas de procurement precisam desenvolver metodologias, indicadores e processos capazes de capturar dados ambientais, sociais e de governança de forma recorrente e auditável.

Empresas que não se adaptarem enfrentarão barreiras significativas em auditorias, perda de contratos, redução de competitividade e aumento de riscos legais. Já aquelas que se organizarem desde agora tendem a ganhar eficiência, confiança de stakeholders e fornecedores mais alinhados às práticas sustentáveis.

Da boa prática à obrigação: o novo papel de Compras

Antes, iniciativas ESG eram amplamente associadas ao setor de sustentabilidade. Hoje, o protagonismo migrou para Compras, que passa a ser a principal porta de entrada de riscos, dados e impacto socioambiental.

Há pelo menos três vetores que explicam essa mudança:

  1. A pressão regulatória e de investidores exige métricas integradas ao procurement.
  2. A complexidade da cadeia de suprimentos faz de Compras o principal responsável por monitorar e exigir dados consistentes dos fornecedores.
  3. A necessidade de mitigar riscos e garantir compliance, especialmente em governança, direitos humanos e emissões de carbono, exige due diligence constante.

Conteúdos como “Compliance através do uso de Vendor List” e “Auditoria de Vendor List” já mostram o quanto a governança da cadeia é decisiva para atender às exigências ESG. O avanço esperado para 2026 reforça ainda mais esse papel, ampliando o escopo e o rigor dos indicadores exigidos.

As métricas ESG que se tornam obrigatórias até 2026

Ambiente (E)

Emissões de gases de efeito estufa (GHG Protocol) – Escopos 1, 2 e especialmente Escopo 3

O Escopo 3, categoria 1 (bens e serviços adquiridos), se torna um dos indicadores mais relevantes. A área de compras precisa ser capaz de contabilizar e reportar emissões incorporadas nos produtos e serviços. Conteúdos como “GHG Protocol: a chave para uma gestão de compras responsável” podem aprofundar esse tema.

Gestão de resíduos, embalagens e economia circular

A rastreabilidade do ciclo de vida dos materiais, o plano de redução e a logística reversa ganham peso, alinhados ao avanço da economia circular. Este conteúdo dialoga diretamente com “O que é economia circular”.

Uso de recursos naturais

Energia, água, descarte seguro e impacto ambiental dos fornecedores entram no radar de métricas obrigatórias, especialmente em setores críticos.

Certificações ambientais mínimas

Programas como ISO 14001, FSC e rastreabilidade de materiais serão exigidos para fornecedores de categorias sensíveis.

Social (S)

Diversidade e inclusão na base de fornecedores

Empresas deverão reportar indicadores ligados a compras inclusivas. Conecta diretamente ao conteúdo “Compras inclusivas: promovendo diversidade e igualdade”.

Direitos humanos e trabalho decente

Trabalho infantil, trabalho escravo, condições de moradia para terceirizados, jornada excessiva e segurança laboral entram como métricas essenciais.

Saúde e segurança

Indicadores de acidentes, programas de prevenção, certificações e controles passam a fazer parte do report obrigatório.

Desenvolvimento socioeconômico local

Indicadores sobre impacto de compras em fornecedores regionais ganham relevância, especialmente em setores de grande impacto territorial.

Governança (G)

Rastreabilidade da cadeia

Empresas devem garantir que seus fornecedores de primeiro e segundo nível atendam aos requisitos mínimos de conformidade.

Políticas anticorrupção

Auditorias, histórico de penalidades, sanções, envolvimento em fraudes e políticas internas precisam ser monitorados continuamente.

Vendor list estruturada

Fornecedores devem ser homologados de forma recorrente, com atualização documental e avaliações. O conteúdo “O poder do vendor list integrado aos sistemas de compras” aprofunda esse tema.

Transparência contratual e due diligence

Empresas devem demonstrar que avaliam riscos, impactos e histórico dos fornecedores antes de fechar contratos. Esse processo é reforçado por artigos como “Compliance na gestão de compras”.

Como estruturar indicadores ESG dentro do departamento de compras

Criar indicadores ESG exige método, priorização e integração com sistemas digitais. Para atender às exigências de 2026, o departamento deve seguir três etapas principais:

  1. Materialidade e riscos: identificar categorias críticas, setores sensíveis e impactos socioambientais.
  2. Estruturação dos indicadores: consolidar métricas obrigatórias e criar indicadores complementares para amadurecimento da gestão.
  3. Integração com sistemas digitais: plataformas de compras ajudam a automatizar coleta, análise, rastreabilidade e auditoria. O conteúdo “Plataforma de Cotação B2B” é complementar a esse processo.

Além disso, a área deve desenvolver políticas de atualização contínua dos dados, com ciclos de revisão trimestrais e auditorias semestrais para os fornecedores mais estratégicos.

Tabela: Indicadores obrigatórios vs recomendados

CategoriaIndicadores obrigatórios até 2026Indicadores recomendados
AmbientalEmissões Escopos 1, 2, 3; resíduos; riscos ambientais; certificaçõesÍndice de circularidade; redução contínua de carbono; logística reversa ampliada
SocialDireitos humanos; segurança do trabalho; diversidade mínima; rastreabilidade socialInvestimento em impacto social; programas de desenvolvimento de fornecedores; compras locais
GovernançaAuditorias; anticorrupção; vendor list atualizado; due diligenceIndicadores de maturidade; scorecards ESG; dashboards de compliance

Como coletar e validar dados ESG dos fornecedores

A parte mais desafiadora das exigências para 2026 está na qualidade e consistência dos dados. Compras precisa garantir que tudo o que é reportado é verificável, auditável e estruturado.

Os caminhos mais eficientes incluem:

A validação deve incluir análise documental, verificação cruzada, auditorias e uso de ferramentas digitais de compliance.

Erros comuns no processo de implementação ESG

A maior parte das empresas que tenta implementar métricas ESG comete erros que prejudicam a consistência dos dados e a viabilidade operacional. Entre os mais frequentes estão:

Muitos desses erros ocorrem pela ausência de um processo digitalizado, tema amplamente discutido no artigo “Transformação digital na gestão de compras”.

Tecnologia como alavanca para conformidade até 2026

Nenhuma empresa conseguirá atender às exigências ESG de 2026 de forma manual. A tecnologia deixa de ser suporte e assume papel estratégico.

Algumas das principais frentes são:

Além disso, sistemas de compras 4.0 e automações em tempo real reduzem riscos, aceleram análises e fortalecem decisões.

Plano prático para colocar Compras ESG de pé

Para atender às exigências até 2026, empresas podem seguir um plano estruturado em três etapas:

1. Primeiros 90 dias

2. Entre 6 e 12 meses

3. Ciclo contínuo até 2026

2026 marca a consolidação definitiva das Compras ESG como requisito obrigatório.

Métricas claras, dados auditáveis e processos estruturados deixarão de ser diferenciais para se tornar condições fundamentais de mercado. O departamento de compras passa a assumir protagonismo real na sustentabilidade corporativa, liderando práticas ambientais, sociais e de governança que impactam diretamente competitividade, reputação e eficiência operacional.

Empresas que integrarem tecnologia, scorecards e governança robusta estarão à frente. Para aprofundar temas como economia circular, vendor list, compliance e BI, é possível explorar os conteúdos complementares da GoBuyer que se conectam diretamente às exigências ESG.