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SLA EM COMPRAS: como definir prazos, qualidade e penalidades

SLA EM COMPRAS é um acordo formal de níveis de serviço entre comprador e fornecedor que define prazos, critérios de qualidade, métricas de desempenho (KPIs), processos de comunicação, regras de aceite e penalidades/bonificações. Um SLA bem escrito reduz atrasos, retrabalho e disputas contratuais porque transforma expectativas em números, evidências e ritos de governança. Na prática: você descreve o serviço, cria métricas objetivas (OTD, OTIF, taxa de defeito, tempo de resposta), estabelece tolerâncias, descreve como medir e, por fim, define consequências e um fluxo claro de escalonamento.

O que você vai ver neste post

O que é SLA EM COMPRAS e por que ele muda o jogo

SLA EM COMPRAS (Service Level Agreement) é o documento que traduz “promessas” em regras mensuráveis. Em vez de depender de boa vontade, histórico ou sensação, você define o que é considerado entrega no prazo, entrega completa, qualidade aceitável, tempo de resposta e como será feita a comprovação.

O ganho é prático: compras deixa de ser apenas negociação de preço e passa a ser controle de performance. Isso impacta diretamente previsibilidade de abastecimento, estabilidade da operação e redução de disputas. Quando existe conflito, o SLA vira a referência: o que foi medido, onde foi medido, com qual evidência e qual consequência.

Um SLA bem feito não serve para punir. Ele serve para alinhar expectativas, reduzir ruído e acelerar a correção quando algo sai do padrão.

Se você já vive situações como “o fornecedor disse que entregou”, “chegou incompleto”, “ninguém sabe qual prazo vale” ou “a área interna acha que compras não resolve”, o SLA é o mecanismo mais direto para reduzir esse tipo de desgaste.

SLA, contrato e escopo: o que vai em cada documento

Um erro comum é tentar colocar tudo no contrato principal, deixando o documento pesado, genérico e difícil de operar. O melhor desenho costuma separar as peças:

  • Contrato: define relação jurídica, regras gerais, vigência, pagamento, responsabilidade, confidencialidade, rescisão.
  • Escopo (SOW ou anexo técnico): descreve o que será fornecido, especificações, volumes, local de entrega, padrões.
  • SLA EM COMPRAS: define níveis de serviço, métricas e consequências operacionais (prazos, qualidade, resposta, evidências).
  • RFQ/RFP: pode antecipar o SLA e exigir que o fornecedor aceite métricas como condição de participação. Se você já usa solicitações estruturadas, vale conectar com conteúdos de referência como RFQ: o que significa e como preparo um e quais as diferenças entre RFQ, RFP e RFI.

Quando você separa bem, ganha flexibilidade: o contrato pode durar 24 meses, mas o SLA pode ser ajustado por trimestre (comitê, baseline, melhoria contínua) sem reabrir a negociação jurídica do zero.

Quando faz sentido aplicar SLA em compras

Nem toda compra precisa de SLA detalhado. Mas em categorias onde o risco é alto, o SLA é praticamente obrigatório. Os casos mais comuns:

  1. Itens críticos para operação (diretos e MRO)
    Quando atrasar para a operação custa mais do que qualquer desconto obtido.
  2. Serviços recorrentes (manutenção, facilities, tecnologia, logística)
    A entrega é contínua, então você precisa de métricas e ritos para acompanhar.
  3. Fornecedores estratégicos e contratos de maior valor
    Quanto maior o spend e a dependência, maior a necessidade de governança.
  4. Ambiente público e compliance elevado
    Quando auditoria e rastreabilidade importam, definir evidências e regras reduz exposição. Se seu contexto inclui compras públicas e contratos, veja também gestão de contratos públicos com IA e automação.

Na prática, você pode começar com um SLA “leve” para categorias médias e um SLA “forte” para categorias críticas. O segredo é manter medição simples o suficiente para ser executada todo mês.

Prazos no SLA: métricas, tolerâncias e exceções

Prazos são a parte mais sensível do SLA EM COMPRAS porque conectam promessa comercial à rotina da operação. Aqui, a regra é: prazo não pode ser uma frase, precisa ser um indicador.

Métricas de prazo mais usadas

  • Lead time acordado: tempo entre pedido aprovado e entrega.
  • OTD (On Time Delivery): percentual de entregas dentro do prazo.
  • OTIF (On Time In Full): percentual de entregas no prazo e completas.
  • Tempo de resposta: horas para confirmar pedido, responder dúvidas, propor solução.
  • Tempo de reposição: dias para substituir itens com defeito ou divergência.

Um bom SLA define também a “janela” de entrega (por exemplo, até 17h do dia X), o ponto de medição (chegada na portaria, recebimento fiscal, aceite técnico) e o tratamento de feriados e finais de semana.

Se você quer aprofundar o tema de prazos, vale cruzar com o conceito de lead time e encaixar o SLA no processo real de compras para evitar promessas desconectadas.

Tolerâncias e exceções: onde a maioria erra

Tolerância não é “afrouxar”, é reduzir disputa. Exemplos:

  • Entrega até 24h após o prazo conta como atraso leve.
  • Atraso acima de 72h ativa plano de contingência e escalonamento.

Exceções precisam estar escritas:

  • força maior (com prova e comunicação formal)
  • atraso por responsabilidade do comprador (mudança de escopo, atraso de aprovação, indisponibilidade de doca)
  • alterações acordadas por escrito (aditivo ou aceite formal)

Quando exceção não está definida, tudo vira exceção. E o SLA perde valor.

Qualidade no SLA: critérios de aceite e indicadores

Qualidade em compras precisa sair do “está bom” e virar critério verificável. Isso vale para produto, serviço e documentação.

O que qualidade significa, na prática

  • Conformidade técnica: atende especificação e normas aplicáveis
  • Integridade: sem avarias, sem divergência de lote, sem itens faltantes
  • Documentação correta: nota fiscal, certificados, laudos, manuais quando exigidos
  • Reperformance: consistência ao longo do tempo, não apenas em uma entrega

A chave é definir o processo de aceite. Sem aceite definido, compras vira árbitro de discussão.

Aceite bem definido é o que transforma qualidade em dado e dado em decisão.

Indicadores de qualidade que funcionam bem

  • Taxa de não conformidade: percentual de entregas com divergência
  • PPM (Parts Per Million) ou taxa de defeito: comum em indústria
  • First Pass Yield: aceito na primeira inspeção sem retrabalho
  • Tempo de resolução de não conformidade: do registro ao fechamento
  • Taxa de devolução/troca: por categoria e por fornecedor

Um ponto importante: qualidade no SLA precisa definir “quem paga” e “como corrige”. Exemplo: custo de frete de devolução, reposição, assistência técnica, descarte, prazo máximo para substituição.

Se sua operação já discute governança e controles, faz sentido conectar com boas práticas de compliance na gestão de compras, porque evidência e rastreabilidade também são “qualidade” do processo.

Penalidades e incentivos: como desenhar sem gerar conflito

Penalidade mal desenhada vira guerra. Penalidade bem desenhada vira disciplina operacional. A diferença está em três pilares: proporcionalidade, clareza e aplicabilidade.

Tipos de penalidade comuns em SLA EM COMPRAS

  • Multa por atraso: percentual por dia, com teto
  • Glosa: desconto por serviço não executado ou qualidade abaixo do padrão
  • Custos de contingência: reembolso de frete extra, compra emergencial, hora parada (quando aplicável e comprovável)
  • Rebaixamento de nível: perda de preferência, redução de volume, saída de vendor list

Mas atenção: penalidade precisa de “gatilho” e “método de cálculo”. Se não, vira subjetivo e contencioso.

Incentivos: o lado que melhora relacionamento

Em compras maduras, incentivos evitam que o SLA pareça só uma lista de punições:

  • bônus por OTIF acima da meta por trimestre
  • prioridade em renovações e volumes
  • redução de retenções ou facilitação administrativa (quando permitido)
  • contratos de maior prazo para fornecedores com performance comprovada

Se você trabalha com base de fornecedores e governança, vale conectar o SLA a uma vendor list estratégica e usar performance como critério de permanência.

Governança e medição: como evitar discussões

Você pode escrever o melhor SLA do mundo e ainda assim falhar se não definir como medir e como agir. Governança é o que dá vida ao SLA EM COMPRAS.

O mínimo de governança que funciona

  • Ritual mensal: revisão de KPIs e ocorrências (30 a 60 minutos)
  • Ritual trimestral: revisão de metas, baseline e melhorias
  • Ponto focal: dono do SLA no fornecedor e no comprador
  • Escalonamento: quem entra em cada nível de criticidade (compras, operação, diretoria)

Evidências e fonte de dados

Defina no SLA:

  • qual sistema é a fonte oficial (ERP, plataforma de compras, planilha validada)
  • quais documentos provam entrega e qualidade (canhoto, NF, relatório de inspeção)
  • como tratar divergência (prazo para contestar, formato de contestação)

Se você já trabalha com rotinas de acompanhamento, o tema conversa diretamente com o processo de follow-up em compras. Sem follow-up estruturado, SLA vira arquivo.

Modelo de SLA EM COMPRAS (tabela + cláusulas prontas)

Abaixo está um modelo prático, pensado para ser anexado ao contrato e também usado como referência operacional. Adapte metas e métricas por categoria.

1) Tabela de níveis de serviço (exemplo)

DimensãoIndicadorDefinição de mediçãoMetaTolerânciaEvidênciaConsequência
PrazoOTDEntregas no prazo acordado / entregas totais95%24h de janela em até 10% dos casoscomprovante de entrega + pedidomulta por atraso acima da tolerância
PrazoOTIFEntregas no prazo e completas / entregas totais92%sem tolerância para item críticochecklist de recebimentoreentrega expressa + custo do frete
QualidadeNão conformidadeEntregas com divergência / entregas totais≤ 2%até 0,5% sem penalidaderelatório de inspeçãoglosa por lote divergente
QualidadeTempo de reposiçãodias para substituir item reprovado5 dias2 dias para item críticoregistro de ocorrênciacompra emergencial com reembolso
ComunicaçãoTempo de respostahoras para responder solicitação formal24h48h em feriadose-mails/registroadvertência + escalonamento
ServiçoResolução de chamados% chamados encerrados no prazo90%1 reabertura sem penalidadesistema de ticketsplano de ação obrigatório

2) Cláusulas essenciais (texto base)

Cláusula de escopo do SLA
Este SLA EM COMPRAS aplica-se aos fornecimentos descritos no escopo/anexo técnico, incluindo entregas, reposições, atendimento e documentação associada.

Cláusula de medição
A apuração dos indicadores será mensal, com base na fonte oficial definida (sistema de compras/ERP) e evidências registradas. Divergências deverão ser contestadas em até X dias úteis após o envio do relatório.

Cláusula de aceite e não conformidade
O aceite ocorrerá após verificação de integridade, conformidade técnica e documentação. Itens reprovados serão registrados como não conformidade e deverão ser substituídos em até X dias, conforme criticidade.

Cláusula de penalidades e teto
Penalidades serão aplicadas quando o indicador ficar abaixo da meta fora da tolerância, respeitando teto mensal de X% do faturamento do período, exceto em casos de reincidência grave ou dolo.

Cláusula de plano de ação e cura
Ao atingir nível crítico, o fornecedor apresentará plano de ação em até X dias e terá período de cura de Y dias para restabelecer performance, sob pena de reavaliação comercial e redução de volume.

Cláusula de governança
Reuniões mensais de performance e reuniões trimestrais de revisão de metas ocorrerão com presença dos pontos focais definidos. Escalonamentos seguirão a matriz de criticidade.

3) Matriz de criticidade (exemplo simples)

NívelCritérioAção imediataEscalonamento
Leveatraso até 24h ou divergência sem impactoregistrar e corrigircompras + fornecedor
Moderadoatraso 24h a 72h ou repetiçãoplano de açãocompras + operação
Críticoatraso > 72h, item crítico ou risco operacionalcontingênciagerência + diretoria

Checklist rápido para implementar em 7 passos

  1. Defina quais categorias e fornecedores entram no SLA (comece pelos críticos).
  2. Mapeie o fluxo real: pedido, confirmação, entrega, recebimento, aceite, pagamento.
  3. Escolha 5 a 8 métricas que você consegue medir mensalmente sem sofrimento.
  4. Defina metas com base em baseline (histórico) e não em desejo.
  5. Escreva tolerâncias e exceções para reduzir disputa.
  6. Desenhe consequências com teto, gatilhos e período de cura.
  7. Crie governança: dono, reuniões, relatório e escalonamento.

Como uma plataforma de compras ajuda a fazer o SLA “rodar”

O problema mais comum não é “falta de modelo”. É falta de execução. Quando o SLA depende de troca de e-mails, planilhas paralelas e memórias individuais, ele vira frágil. Uma plataforma digital de compras tende a ajudar em três pontos:

  • Rastreabilidade: histórico de pedidos, mensagens, prazos e documentos em um só lugar.
  • Padronização: RFQs, aprovações, recebimentos e ocorrências seguindo o mesmo rito.
  • Medição: relatórios e painéis para apuração de OTD, OTIF e não conformidade.

Se sua operação está estruturando processos, vale revisar também processos de compra: como criar uma para sua empresa e alinhar o SLA como extensão natural do processo, não como documento isolado.

Perguntas frequentes sobre SLA EM COMPRAS

SLA EM COMPRAS é obrigatório?
Não. Mas em categorias críticas, ele é uma das poucas formas consistentes de reduzir ruído e transformar performance em rotina.

Qual é o melhor KPI de prazo: OTD ou OTIF?
OTD mede “chegou no dia”. OTIF mede “chegou no dia e completo”. Para operação, OTIF costuma ser mais fiel ao impacto real.

Penalidade sempre precisa existir?
Não, mas ajuda a dar consequência. Quando não houver penalidade financeira, use consequências operacionais: rebaixamento, redução de volume, revisão de vendor list e plano de ação obrigatório.

Dá para aplicar SLA em serviços?
Sim, e costuma ser ainda mais necessário. Serviços têm mais subjetividade, então métricas de resposta, disponibilidade, conclusão e reabertura são essenciais.

Qual o maior erro ao criar SLA?
Definir metas impossíveis e não definir como medir. Se você não consegue medir todo mês, o SLA vira argumento, não gestão.

Um SLA que funciona é o que você consegue medir

SLA EM COMPRAS não é burocracia, é engenharia de previsibilidade. Quando você define prazos, qualidade, evidências, governança e consequências, você reduz disputas e acelera correção de rota. O modelo acima já coloca a base, mas o que faz diferença é escolher métricas que cabem na sua rotina, publicar o relatório com frequência e tratar performance como parte do relacionamento com fornecedores.